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A Bridget Jones Portuguesa

O diário de uma marketer a tentar levar uma vida mais saudável

Sobre promessas falhadas


Desde que me lembro de ser gente que a minha relação com a comida é bastante emocional. Estou triste, como. Estou aborrecida, como. Sinto-me sozinha, como mais um pouco. Tive um desgosto amoroso? Como! 

Comecei a ter noção desta realidade mais ou menos por volta dos meus 15 anos. Na altura deveria andar no meu 8º ano. Tínhamos mudado de casa e, consequentemente, mudei de escola. Saí do sítio onde nasci, larguei as pessoas que desde o meu 1º ano acompanhavam o meu crescimento e fui para um sitio novo. Um sitio onde, tal como a minha antiga realidade, todos se conheciam desde infância. 

A adolescência é uma fase péssima. Pelo menos é assim que vejo a minha. Cada vez acredito mais que, as experiências que são tidas nessa altura e o acompanhamento que se faz das mesmas é importantíssimo para o desenvolvimento da personalidade de uma pessoa - mas isso é tema para outras núpcias

15 anos. 72kg. Vestia o 44 de calça. Suava imenso das axilas - era maioritariamente uma questão hormonal, mas o peso não ajudava nada à festa - chegava  a levar uma blusa "suplente" dentro da mochila da escola para mudar no intervalo. 

Apesar do número na balança, da minha altura e do IMC indicar excesso de peso, tenho uma estrutura corporal bonita. E eu passo a explicar - se tem um corpo bonito, porquê esta conversa toda? - o formato do meu corpo é de pêra. Ou seja, não tenho barriga, mas tenho uma anca saliente - jeitosa mesmo, diga-se de passagem - não obstante, tenho uma tendência para engordar assim (geneticamente) simpática. O que acontece é que independentemente de ter curvas bonitas ou não, essa curvas são feitas de: gordura. Sim, gordura! Descobri isso mais tarde quando o conceito - % de Massa Gorda e Massa Magra - entraram no meu dicionário. Para além disso, faço imensa retenção de líquidos e - as(os) mais sensíveis que me perdoem, mas não há forma bonita ou limpinha de dizer isto - tenho um intestino muito preguiçoso o inevitavelmente se traduz em CELULITE. Curvas, mas carregada de celulite. 

Foi mais ou menos no meu 12º ano - não tenho tanto a percepção temporal em termos de idade como acontece com a maioria - na minha memória os "registos estão arquivados" por experiência académica (eu disse que aqui não se aprendia nada) - que, de uma forma inconsciente e despreocupada, comecei a tomar atenção ao que comia e a incluir o exercício físico na minha vida de uma forma quase diária. 

Quando entrei para a faculdade o meu peso já rondava os 66Kg e, na altura, o entusiasmo era tanto de ver o meu corpo a mudar, a perder peso e a definir formas bonitas que apliquei-me como nunca naquela "jornada" e cheguei mesmo à melhor condição física que alguma vez tive: 60,9Kg. 17%MG; Idade Metabólica: 16 anos. 2013 foi sem dúvida um ano de ouro para mim.

O que aconteceu depois? Depois vieram as festas e veio o álcool. Foi no final de 2013 que comecei a consumir álcool  com uma regularidade a que o meu corpo não estava habituado. As idas ao ginásio eram cada vez menos frequentes. Todos os fins de semana havia um evento qualquer e se não houvesse fazíamos nós a festa na casa de alguém. Daí ao deixar de ir ao ginásio foi um "instantinho". Não apetecia. A rotina que antes tinha "ficava a cada bolo" mais difícil de retomar e pensava "vestida, até nem estás assim tão mal". Foi o "deixa andar" completo.

5 anos passaram e nós estamos como? 69Kg. 35%MG. Idade Metabólica: 39 anos. Muita coisa aconteceu em 5 anos, mas acima de tudo: muitas dietas falhadas. Mais do que gostaria de admitir.

5 anos de dietas io-io. 5 anos de vou ao ginásio loucamente durante 3 semanas e depois não meto lá os pés durante 3 ou 4 meses. 5 anos de muitos "começo amanhã", "na segunda-feira é que é", "agora estou de férias, mas quando recomeçar no trabalho aí é que vai ser", "é natal, mas quando começar o ano 201x é que é". 5 anos de muitas desculpas, de muita falta de comprometimento, de amor próprio. Mas sobretudo 5 anos de muitas desilusões com os outros e comigo mesma que resultaram em inúmeras compulsões alimentares, muitos "vou comer para esquecer" porque de facto, empanturrar-me em comida aconchegava-me, deixava-me menos triste, pelo menos até à ressaca. 

Podia agora ter um discurso atenuador e misericordioso. Dizer que a culpa foi das situações que passei, desta necessidade de me refugiar em comida para me sentir melhor, mas a verdade é que não nos podemos definir com base nas coisas menos boas que nos acontecem. Certamente que não somos impermeáveis às mesmas, mas aquela caixa de batatas pringles, um big tasty e umas massas cheias de natas (tudo num dia) compensará? Deixar-te-á menos triste?

Perder peso é difícil, ganhá-lo todo outra vez é fácil. Essa realidade eu conheço bem. Agora quero conhecer o outro lado. Não à segunda-feira. Não no inicio do próximo mês. Muito menos no inicio do próximo ano. Não. Agora!

Sinto que ao criar esta página, crio um comprometimento com cada pessoa que me lê. Acho que quando partilhamos, ganhamos mais do que perdemos.

Podia continuar a dissertar sobre vários temas que aqui abordei - e foram tantos e ainda que em comum, tão diferentes - mas este post já vai longo.. e a probabilidade de o lerem até ao fim reduz a cada palavra que lhe adiciono.

Mude! Adapte-se! Seja livre! Viva!!                                                                                                                                                                                 Mais


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