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A Bridget Jones Portuguesa

O diário de uma marketer a tentar levar uma vida mais saudável

Carta aberta ao meu coração (de quatro patas)

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Ainda não tinhas nascido e eu já te tinha escolhido o nome: "a última a nascer, preta, vai chamar-se Flicka". Quis a sorte ou o destino que, para além do nome, também escolhesse(s) que esta seria a tua casa. Eras a quinta deste disparate que um dia tivéramos de ter cinco cães. Talvez por isso a mais ciumenta. Não podias ver-me aproximar de nenhum outro cão e livre-se de quem tentasse aproximar de ti, tivesse quatro ou duas patas. Mas para mim eras de uma meiguice ímpar. Eras o meu lobo(ito) em pele de cordeiro. A (única) que eu ia buscar, à socapa, durante a noite para dormir comigo, e metia o despertador de madrugada para que o pai não nos descobrisse a manha. 

Esta vida madrasta levou-te de mim cedo demais. Cedo. Muito cedo. Obrigada por teres lutado com todas as forças que te restavam. Tenho a certeza de que te agarraste à vida por nós e só por nós.

 

Levaste um pedaço do meu coração contigo, mas um dia cobro-te, com juros, em beijos. 

 

Até já, meu amor. 

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Quem não sente, não é filho de boa gente

Na via contrária à minha, dois cães permaneciam imóveis no chão. Foram atropelados, mas nem vestígio do carro que o fez. Imediatamente fiz inversão de sentido de marcha. Parei o carro. Liguei os quatro piscas. Sai.

Fiquei horrorizada com o que se seguiu.

PURE LOVE

 

Já diz o ditado "quem não sente, não é filho de boa gente". Poderia utilizar esta ou qualquer outra expressão. Poderia, inclusive, fazer das palavras do Rodrigo Guedes de Carvalho as minhas quando diz "pessoas que são capazes de fazer mal aos animais, para mim definem-se em relação a muita coisa na vida.". 

 

Desde que me lembro de ser gente que sou apaixonada por animais. Cães e Cavalos em particular e tudo o resto no geral. Sou uma defensora acérrima dos seus direitos e condeno veemente todos os atos de maldade e maus tratos a estes. Não me refiro só a cães. Refiro-me a todos os que sofrem às mãos do homem e da sua capacidade egoísta de olhar primeiro para o seu umbigo e vontades e só depois para o outro - e se esse outro tiver 4 patas, então o melhor é fingir que nem acontece(u).  Refiro-me, por exemplo, ao uso de animais em circos, à forma como são criados e abatidos em matadouros... nem é preciso alongar-me ao tema touradas, certo? 

 

Supostamente, de há uns anos para cá, a consciencialização relativa aos direitos dos animais de companhia tem aumentado . Exemplos disso são leis como a de 2014 que veio criminalizar os maus tratos a animais de companhia (infelizmente cingindo-se apenas a estes); em 2017 ganharam estatuto jurídico e, (novamente) supostamente, deixaram de ser considerados "coisas"; este ano começou a ser permitido a permanência de animais em estabelecimentos comerciais que assim os aceitem e entrou em vigor a proibição do abate em canis municipais. Mais recentemente, a proibição do uso de animais selvagens em circos. 

 

Isto é tudo muito bonito, mas - pasmem-se agora - não acontece na pratica! Pelo menos, não na sua maioria.

 

Acontece que, este fim-de-semana, estava eu a regressar tranquilamente a casa quando, numa estrada sem iluminação praticamente nenhuma, começo a abrandar por ver um cachorro sair a correr de um complexo industrial em direção à estrada em que eu seguia. Qual não é o meu espanto e aflição quando percebo do que se tratada. 

Na via contrária à minha, dois cães permaneciam imóveis no chão. Foram atropelados, mas nem vestígio do carro que o fez. Fiz, imediatamente, inversão de sentido de marcha. Parei o carro. Liguei os quatro piscas. Sai.

Fiquei horrorizada com o que se seguiu. Dois cães atropelados, um deles morto, o outro ainda vivo, mas em muito mau estado, encontravam-se deitados no meio da estrada. Outros dois, vivos, rodeavam os primeiros sem perceber o que se estava a passar. 

Estava em choque e, no meio de lágrimas, tentei acalmar-me e arranjar ajuda para salvar o pequenino que, depois de atropelado, ali agoniava. Liguei para a GNR e, com a maior das calmas, o sr. agente disse que nada poderia fazer, que não tinha meios, nem era da competência da GNR tratar de situações como esta. Disse-me que deveria ligar para a câmara municipal e tentar falar com alguém. A raiva que sentia dilacerava-me o peito, disso posso garantir-vos, mas apesar de tudo isso, soltei uma gargalhada venenosa e perguntei àquela pessoa se achava realmente que a um sábado às 21H alguém me iria atender. Lembro-me de ter respondido que nada poderia fazer. Após isso, não quis saber de mais nenhuma resposta e desliguei o telemóvel. 

Por essa altura, já o rapaz que os tinha atropelado se juntara a mim, disse-me que parou 800mts mais à frente, para olhar o para choques do seu carro, sem saber bem ao certo o que tinha atropelado e que voltou para trás quando se apercebeu de que alguém tinha parado... (vou-me abster de comentar). Felizmente, também outras senhoras pararam e tentaram ajudar, abrandando os carros que ali passam sempre acima da velocidade permitida e afugentando, para a berma, os outros dois cachorros que ali continuavam, curiosos com a situação. 

Queríamos levar os animais para o hospital veterinário, mas nem sabíamos como. Por sorte, parou uma senhora numa carrinha que, deu a maior das ajudas. Tinha duas mantas e, à vez, de forma muitíssimo cuidadosa, pegou no animal ferido e, posteriormente, no cão que estava morto (queríamos certificar-nos de que tinha efetivamente falecido), e coloco-os no carro do rapaz, para que, juntamente comigo, os levasse para o veterinário. 

 

Nunca tinha passado por uma situação destas e hoje sei que a GNR deveria ter tido uma atitude diferente relativamente a esta situação. Sei porque li posteriormente sobre o assunto. Vou tentar reunir o máximo de informação possível sobre o assunto e dentro de poucos dias conto fazer uma publicação de como se deve proceder em caso de atropelamento de um animal.

 

Conto esta história na esperança de conseguir sensibilizar alguém e que, também esse "alguém", consiga influenciar uma segunda pessoa. À parte da minha critica, acho que se têm dado passos para o crescente respeito que se deve ter pelo próximo, tenha este duas ou quatro patas, mas acho que ainda há um muitíssimo longo caminho pela frente e que, só se vai conseguir "matar ervas daninhas", por meio da educação. É preciso educar e reeducar muitas pessoas e isto vai ter de ser um trabalho diário e de todos nós.